1966
CRIAÇÃO DO INSTITUTO NACIONAL DO CINEMA
CENSURA DE FILMES
Antigos Livretos DIAFILME - Do extinto Instituto Nacional do Cinema (INC), 1966, Ministério da Educação e Cultura RJ-GB
O Decreto-Lei nº 43, de 18 de novembro de 1966, criou o Instituto Nacional do Cinema (INC) e estabeleceu que a censura de filmes passaria a ser responsabilidade exclusiva da União. Entre os critérios avaliados para permitir ou vetar a exibição das produções, destacavam-se: a segurança nacional, a defesa do regime democrático, a ordem e decoro públicos, os "bons costumes" – critério que frequentemente servia para restringir representações de pessoas negras e suas manifestações culturais –, e a ausência de incentivo a preconceitos de raça ou a lutas de classes.
Resistências Radicais
01
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ALMA NO OLHO
Zózimo Bulbul
No contexto do Decreto-Lei nº 43/1966, filmes de cineastas negros foram censurados a partir de critérios vagos como "bons costumes" e "defesa do regime". Dentre eles, destacamos o curta-metragem dirigido por Zózimo Bulbul, Alma no Olho. Trata-se de uma obra experimental que utiliza a linguagem corporal para refletir sobre a experiência negra no Brasil, abordando temas como escravidão, racismo e resistência. Produzido com negativos remanescentes de outro filme, o curta chamou atenção da censura durante a ditadura militar, sendo considerado "subversivo". Bulbul foi convocado a depor pelas autoridades, que suspeitavam de influência comunista na obra. Em tom irônico, o diretor afirmou que a ideia partira "sob ordens do amigo e poeta Vinicius de Moraes". Alma no Olho tornou-se um marco do cinema negro brasileiro e da resistência cultural à ditadura.
Apesar da forte repressão e dos obstáculos impostos pela censura, cineastas negros persistiram na produção audiovisual como forma de resistência e afirmação cultural. Suas obras desafiaram os discursos oficiais, retrataram as realidades e histórias das populações negras e abriram caminho para a valorização da diversidade étnica no cinema brasileiro, contribuindo para o fortalecimento dos movimentos negros e a luta por igualdade.
FONTES:
BRASIL. Personalidades Negras – Zózimo Bulbul. Brasília, DF: Fundação Cultural Palmares, 24 jan. 2014.
LAPERA, Pedro Vinicius A. Entre brechas, cortes e rasuras: relações étnico-raciais e censura cinematográfica na ditadura militar. Revista FAMECOS: mídia, cultura e tecnologia, Porto Alegre, v. 22, n. 2, p. 82-98, abr./jun. 2015.
RODRIGUES, Rogério Costa. Censura teatral e cinematográfica no país. Revista de Informação Legislativa, v. 4, n. 13/14, p. 131-148, jan./jun. 1967.
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RODRIGUES, Rogério Costa. Censura teatral e cinematográfica no país. Revista de Informação Legislativa, v. 4, n. 13/14, p. 131-148, jan./jun. 1967.
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