1967
A CONSTITUIÇÃO DA DITADURA
Mais poder, menos direitos
CONSTITUIÇÃO DO BRASIL DE 1967
A Constituição de 1967 conferiu poderes ilimitados ao Executivo, com a possibilidade de decretar estado de sítio, suspender direitos políticos e cassar mandatos parlamentares. Ela ampliou a competência da Justiça Militar para julgar civis acusados de crimes contra a segurança nacional e estabeleceu o Conselho de Segurança Nacional como órgão responsável pela elaboração de políticas de segurança interna, que incluíam a identificação e repressão de "inimigos internos" — um conceito que frequentemente recaía de forma desproporcional sobre comunidades negras e periféricas.
A política de "segurança nacional" legitimou a vigilância e o controle sistemático sobre populações marginalizadas, intensificando a criminalização da pobreza e das expressões culturais afro-brasileiras. Comunidades negras foram alvos preferenciais de operações policiais e militares, que se intensificaram sob a justificativa de combate à subversão. Esse período consolidou práticas de repressão racial que se perpetuam até hoje no sistema de segurança pública brasileiro, estabelecendo um legado de violência estatal contra a população negra.
FONTE:
GONZALEZ, Lélia. O movimento negro na última década. In: GONZALEZ, Lélia & HASENBALG, Carlos (org.). Lugar de negro. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.
Resistências Radicais
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CICLO DO NEGRO - HOMENAGEM A ZUMBI
Entre 1976 e 1978, o Ciclo do Negro, um conjunto de apresentações e debates realizados em Salvador, consolidou-se como um marco na construção de uma consciência racial crítica durante a ditadura militar. A iniciativa, que incluiu palestras, peças teatrais e exposições, foi organizada por intelectuais negros e artistas que buscavam resgatar a memória histórica da resistência negra no Brasil. O evento teve como eixo central a figura de Zumbi dos Palmares, símbolo máximo da luta contra a escravidão e pela liberdade.
O Ciclo do Negro representou um espaço de articulação política e cultural em um momento de intensa repressão, quando qualquer manifestação que questionasse a ordem vigente era duramente reprimida. Ao promover debates sobre racismo, identidade e resistência negra, o evento desafiou o mito da democracia racial e abriu caminho para o fortalecimento do Movimento Negro Unificado (MNU), fundado em 1978. O legado do Ciclo do Negro permanece como referência fundamental na história da luta antirracista no Brasil.
FONTE:
GONZALEZ, Lélia. O movimento negro na última década. In: GONZALEZ, Lélia & HASENBALG, Carlos (org.). Lugar de negro. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.
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