1983
LEI DE SEGURANÇA NACIONAL (1983) E LEGADO REPRESSIVO
O POVO NEGRO COMO "inimigo interno"
MILITARIZAÇÃO DO ESTADO
A Lei de Segurança Nacional, Lei nº 7.170, de 14 de dezembro de 1983, mostra como as heranças do regime militar e os modelos de punição baseados em critérios positivistas continuaram a influenciar as leis brasileiras antes e depois da promulgação da Constituição Federal de 1988. Uma das consequências mais evidentes é a permanência da figura do "inimigo interno", um conceito usado para justificar a violência e o controle rigoroso do Estado sobre a população negra – sejam homens, mulheres, jovens e crianças.
Resistências Radicais
01
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RESISTÊNCIAS NEGRAS À LEI DE SEGURANÇA NACIONAL E AO CONTROLE PENAL DO ESTADO
Ações de enfrentamento à lógica repressiva do "inimigo interno"
DITADURA ASSASSINA
Diante da continuidade das práticas repressivas legitimadas pela Lei de Segurança Nacional de 1983, diversos movimentos e organizações negras intensificaram suas ações de resistência e denúncia. Essas iniciativas foram fundamentais para expor o racismo estrutural do sistema penal brasileiro e combater a criminalização sistemática da população negra.
Entre as formas de resistência, destacam-se as campanhas de conscientização sobre a violência policial, a organização de defesas jurídicas coletivas e a articulação com movimentos internacionais de direitos humanos. Essas ações buscavam não apenas proteger indivíduos específicos, mas também desafiar a lógica do "inimigo interno" que justificava a perseguição estatal contra comunidades negras.
CAMPANHA REAJA OU SERÁ MORTA, REAJA OU SERÁ MORTO
SLOGAN DA CAMPANHA REAJA OU SERÁ MORTA, REAJA OU SERÁ MORTO
Lançada em 1983, a campanha "Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto" representou uma resposta direta à escalada da violência policial contra a população negra no contexto da redemocratização. Iniciada em São Paulo, a campanha mobilizou organizações do movimento negro, grupos de defesa dos direitos humanos e comunidades periféricas em torno da denúncia do genocídio da juventude negra.
O slogan da campanha evocava a necessidade de resistência ativa diante da violência estatal sistêmica. Através de manifestações públicas, produção de materiais educativos e articulação com a imprensa alternativa, a campanha expôs como a Lei de Segurança Nacional continuava sendo instrumentalizada para legitimar a repressão policial nas favelas e periferias, onde a população negra era majoritária.
REVOGAÇÃO DA LEI DE SEGURANÇA NACIONAL (2021)
Apenas em 2021, após décadas de mobilização dos movimentos sociais, especialmente do movimento negro, a Lei de Segurança Nacional de 1983 foi finalmente revogada. A pressão popular evidenciou como essa legislação perpetuava práticas autoritárias incompatíveis com um Estado democrático de direito e como era frequentemente instrumentalizada para criminalizar defensores de direitos humanos e ativistas dos movimentos negros.
A revogação representou uma vitória histórica das lutas por direitos, mas também revelou a urgência de reformas mais profundas no sistema de segurança pública. O legado da doutrina do "inimigo interno" continua presente nas práticas policiais que vitimam desproporcionalmente a população negra, demonstrando que a luta contra o racismo institucional demanda transformações estruturais que vão além da simples revogação de leis.
FONTE:
PORTAL GELEDÉS. ETIQUETA: REAJA OU SERÁ MORTO. Portal Geledés, São Paulo, [20-].
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