1968
ATO INSTITUCIONAL Nº 5 (AI-5), DE 13 DE DEZEMBRO DE 1968
Repressão Absoluta
Capa do Jornal do Brasil de 14 de dezembro de 1968 (dia seguinte à promulgação do AI-5)
O Ato Institucional nº 5, promulgado em 13 de dezembro de 1968, marcou o período de maior repressão do regime militar ao autorizar o fechamento do Congresso Nacional, das Assembleias Estaduais e das Câmaras Municipais, além de suspender direitos políticos, cassar mandatos e permitir a ampliação da censura por meio da Lei de Segurança Nacional e da Lei de Imprensa. A suspensão do habeas corpus para determinados crimes e a autorização para decretar estado de sítio sem prazo definido ampliaram o poder de intervenção federal e isentaram de controle judicial os atos praticados pelo governo. Esse conjunto de medidas intensificou o controle estatal sobre a sociedade, limitando profundamente a participação política e consolidando uma lógica repressiva baseada no silenciamento e na perseguição.
Nesse contexto, o endurecimento do regime não afetou a população de maneira homogênea. Ao contrário, aprofundou desigualdades historicamente construídas, especialmente em relação à população negra. A ausência de garantias legais e o aumento do poder das forças de segurança fortaleceram práticas de violência institucional que há muito recaíam de forma desproporcional sobre corpos negros. Jovens e trabalhadores das periferias, marcadas por heranças estruturais de exclusão, tornaram-se alvos ainda mais vulneráveis de prisões arbitrárias, torturas, desaparecimentos e execuções registradas como "autos de resistência". A suspensão do habeas corpus dificultou qualquer contestação dessas ações, ampliando o alcance de um racismo estatal já naturalizado.
Além disso, a censura imposta pelo AI-5 buscou silenciar terreiros, movimentos, intelectuais e artistas negros que denunciavam o racismo ou reivindicavam direitos. Ao tratar tais pautas como "subversivas", o regime reforçou o mito da democracia racial, impedindo que desigualdades históricas fossem debatidas publicamente. A repressão política e a invisibilização das questões raciais atuaram juntas, fortalecendo a ideia de harmonia racial como ferramenta ideológica para legitimar o autoritarismo.
Caso Jurídico
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AI-5 E RACISMO INSTITUCIONAL
O Ato Institucional nº 5, promulgado em 13 de dezembro de 1968, marcou o período de maior repressão do regime militar ao autorizar o fechamento do Congresso Nacional, das Assembleias Estaduais e das Câmaras Municipais, além de suspender direitos políticos, cassar mandatos e permitir a ampliação da censura por meio da Lei de Segurança Nacional e da Lei de Imprensa.
A suspensão do habeas corpus para determinados crimes e a autorização para decretar estado de sítio sem prazo definido ampliaram o poder de intervenção federal e isentaram de controle judicial os atos praticados pelo governo. Esse conjunto de medidas intensificou o controle estatal sobre a sociedade, limitando profundamente a participação política e consolidando uma lógica repressiva baseada no silenciamento e na perseguição.
Nesse contexto, o endurecimento do regime não afetou a população de maneira homogênea. Ao contrário, aprofundou desigualdades historicamente construídas, especialmente em relação à população negra. A ausência de garantias legais e o aumento do poder das forças de segurança fortaleceram práticas de violência institucional que há muito recaíam de forma desproporcional sobre corpos negros.
Jovens e trabalhadores das periferias, marcadas por heranças estruturais de exclusão, tornaram-se alvos ainda mais vulneráveis de prisões arbitrárias, torturas, desaparecimentos e execuções registradas como "autos de resistência". A suspensão do habeas corpus dificultou qualquer contestação dessas ações, ampliando o alcance de um racismo estatal já naturalizado.
Além disso, a censura imposta pelo AI-5 buscou silenciar terreiros, movimentos, intelectuais e artistas negros que denunciavam o racismo ou reivindicavam direitos. Ao tratar tais pautas como "subversivas", o regime reforçou o mito da democracia racial, impedindo que desigualdades históricas fossem debatidas publicamente. A repressão política e a invisibilização das questões raciais atuaram juntas, fortalecendo a ideia de harmonia racial como ferramenta ideológica para legitimar o autoritarismo.
TEXTO REESCRITO E ADAPTADO PELO EDITOR-REVISOR
Resistências Radicais
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TÁTICAS E ESTRATÉGIAS NOS TERREIROS
Mãe Meninazinha de Oxum em seu terreiro, Ilê Omolu Oxum, na Baixada Fluminense, RJ. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Durante a ditadura civil-militar brasileira, os terreiros, espaços centrais para religiões de matriz africana, sofreram forte perseguição, mas também desenvolveram estratégias de resistência que garantiram sua sobrevivência. Relatos de lideranças nas regiões Nordeste apontam invasões policiais em festas religiosas, destruição de instrumentos rituais e humilhação dos praticantes, que muitas vezes eram obrigados a desfilar com seus trajes e objetos sagrados até as delegacias.
Para escapar da repressão, alguns terreiros reformularam sua organização: ocultaram símbolos visíveis em fachadas, mudaram-se para áreas periféricas ou rurais, e adotaram práticas mais discretas, como proibir a presença de crianças durante os cultos. Em um caso emblemático, o terreiro de Pai Adão construiu uma capela católica para disfarçar suas atividades religiosas, protegendo sua estrutura e comunidade.
Ainda assim, a resistência persistiu. Algumas lideranças religiosas passaram a guardar imagens sagradas em casas seguras ou locais "discretos", formando redes de proteção entre terreiros. Também foram usadas táticas de deslocamento ritual, como realizar cultos em florestas, para driblar a vigilância policial.
Por fim, a resistência ganhou dimensão política: em 1983, mães-de-santo da Bahia assinaram uma carta reivindicando a autonomia religiosa e rompendo com a normatização imposta pelo Estado. Essas formas de enfrentamento demonstram como os terreiros não apenas sobreviveram, mas também se reorganizaram em meio à repressão, preservando suas tradições e afirmando sua identidade negra.
FONTE:
MIRANDA, Ana Paula Mendes de; SILVA, Leonardo Vieira. Como os terreiros enfrentaram a ditadura? Instituto Búzios, Salvador, 7 maio 2024.
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MIRANDA, Ana Paula Mendes de; SILVA, Leonardo Vieira. Como os terreiros enfrentaram a ditadura? Instituto Búzios, Salvador, 7 maio 2024.
SHAKUR, Renato. O racismo da ditadura militar brasileira. Ideias de Esquerda, Rio de Janeiro, 4 abr. 2021.
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