1922
PROIBIÇÃO AOS CANDOMBLÉS NAS POSTURAS MUNICIPAIS DE CACHOEIRA (BA)
CÓDIGO DE POSTURAS MUNICIPAIS DE CACHOEIRA, BAHIA, DE 1922
TERREIRO RAIZ DE AYRÁ, NA CIDADE DE CACHOEIRA - BA – LAZARO MENEZES/SECRETARIA DE CULTURA DA BAHIA
Em 1922, o Código de Posturas de Cachoeira proibiu, pela primeira vez de forma explícita, a realização de candomblés no município. A medida foi aprovada em um período de maior repressão às manifestações culturais e religiosas de matriz africana. Na seção “Polícia Municipal”, o Código proibia a realização de batuques, candomblés, vozerias, cantorias e outros ajuntamentos considerados tumultuários ou suspeitos em qualquer parte do município, em qualquer horário (Intendência…, 1922).
Ao colocar os candomblés na mesma categoria de “ajuntamentos tumultuários ou suspeitos”, a lei transformava uma prática religiosa em caso de polícia. Isso permitia a vigilância dos terreiros, a interrupção de cerimônias e a punição de seus participantes, reforçando a perseguição às religiões de matriz africana.
FONTE:
INTENDÊNCIA MUNICIPAL DE CACHOEIRA. Código de Posturas Municipais da cidade da Cachoeira (Estado da Bahia). Cachoeira, 1922. Fundo Câmara Municipal de Cachoeira, caixa 1. Arquivo Público Municipal de Cachoeira, Cachoeira.
Resistências Radicais
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A RESISTÊNCIA SILENCIOSA DOS CANDOMBLÉS
CANDOMBLÉ DA BAHIA – ADELOYÁ MAGNONI/ARQUIVO PESSOAL
No início do século 20, os terreiros de candomblé de Cachoeira foram importantes espaços de fé, encontro e preservação das tradições religiosas de matriz africana no Recôncavo Baiano. Neles, comunidades negras realizavam cerimônias, transmitiam conhecimentos sobre os orixás e voduns e fortaleciam os laços entre seus participantes.
Para o historiador Edmar Ferreira Santos (2009), a história dos candomblés no Recôncavo foi marcada tanto pela perseguição quanto pela continuidade dessas tradições.
Segundo o autor, “na década de 1920, com a enérgica entrada em cena da polícia contra os terreiros, muitos candomblés silenciaram temporariamente” (Santos, 2009, p. 32). Isso, porém, não significou o fim dos candomblés. Muitas práticas religiosas continuaram acontecendo de forma mais discreta, e os bozós, objetos rituais deixados em ruas, encruzilhadas e outros espaços da cidade, eram um dos sinais de que os candomblés continuavam presentes em Cachoeira. O autor chama esse processo de “resistência silenciosa dos candomblés”, mostrando que preservar a fé, os rituais e os ensinamentos foi uma forma de garantir a continuidade das tradições afro-brasileiras, apesar da perseguição.
FONTE:
SANTOS, Edmar Ferreira. O poder dos candomblés: perseguição e resistência no Recôncavo da Bahia. Salvador: EDUFBA, 2009.
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BASTIDE, Roger. O candomblé da Bahia. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
RAMOS, Cleidiana. Reportagens mostram como são recentes as ações respeitosas do estado em direção ao candomblé. A Tarde, Salvador, 9 out. 2021.
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