1922
PROIBIÇÃO AOS CANDOMBLÉS NAS POSTURAS MUNICIPAIS DE CACHOEIRA (BA)
CÓDIGO DE POSTURAS MUNICIPAIS DE CACHOEIRA, BAHIA, DE 1922
TERREIRO RAIZ DE AYRÁ, NA CIDADE DE CACHOEIRA - BA – LAZARO MENEZES/SECRETARIA DE CULTURA DA BAHIA
Em 1922, o Código de Posturas de Cachoeira proibiu, pela primeira vez de forma explícita, a realização de candomblés no município. A medida foi aprovada em um período de maior repressão às manifestações culturais e religiosas de matriz africana. Na seção “Polícia Municipal”, o Código proibia a realização de batuques, candomblés, vozerias, cantorias e outros ajuntamentos considerados tumultuários ou suspeitos em qualquer parte do município, em qualquer horário (Intendência…, 1922).
Ao colocar os candomblés na mesma categoria de “ajuntamentos tumultuários ou suspeitos”, a lei transformava uma prática religiosa em caso de polícia. Isso permitia a vigilância dos terreiros, a interrupção de cerimônias e a punição de seus participantes, reforçando a perseguição às religiões de matriz africana.
FONTE:
INTENDÊNCIA MUNICIPAL DE CACHOEIRA. Código de Posturas Municipais da cidade da Cachoeira (Estado da Bahia). Cachoeira, 1922. Fundo Câmara Municipal de Cachoeira, caixa 1. Arquivo Público Municipal de Cachoeira, Cachoeira.
Resistências Radicais
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MÃE JUDITH E A DEFESA DA LIBERDADE RELIGIOSA
FILHO DE SANTO DO TERREIRO ILÊ AXÉ ICIMIMÓ AGANJU DIDÈ – VINICIUS XAVIER /FOTO DOC
Em 1913, Judith Ferreira do Sacramento, conhecida como Mãe Judith, comprou uma roça na localidade de Terra Vermelha, em Cachoeira. Segundo o historiador Edmar Ferreira Santos, “nesta casa, ainda hoje distante do núcleo urbano de Cachoeira, Mãe Judith começou a realizar seus trabalhos religiosos, abrindo a casa ao público em 1916” (Santos, 2009, p. 146). O terreiro Ilê Axé Icimimó Aganju Didè tornou-se um importante espaço de preservação das tradições religiosas de matriz africana e permaneceu em atividade mesmo durante os anos de intensa repressão aos candomblés.
Para Santos, Mãe Judith teve um papel de destaque na defesa da liberdade religiosa. Ele afirma que ela “protagonizou os episódios mais públicos da resistência dos candomblés de Cachoeira contra a violenta perseguição que sofreram” (Santos, 2009, p. 149). Por meio de textos publicados nos jornais da cidade, a mãe de santo contestou a exigência de licenças para realizar as festas religiosas e denunciou as ações da polícia contra os terreiros.
FONTE:
SANTOS, Edmar Ferreira. O poder dos candomblés: perseguição e resistência no Recôncavo da Bahia. Salvador: EDUFBA, 2009.
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BASTIDE, Roger. O candomblé da Bahia. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
RAMOS, Cleidiana. Reportagens mostram como são recentes as ações respeitosas do estado em direção ao candomblé. A Tarde, Salvador, 9 out. 2021.
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