1857
A MATRÍCULA OBRIGATÓRIA DOS GANHADORES EM SALVADOR (BA)
PORTARIA DE MARÇO DE 1857
GANHADORES DE SALVADOR NO SÉCULO 19 – THE NEW YORK PUBLIC LIBRARY
Em março de 1857, a Câmara Municipal de Salvador, na Bahia, aprovou uma postura que regulamentava o trabalho dos ganhadores, trabalhadores responsáveis pelo transporte de cargas pelas ruas da cidade. A norma determinava que os carregadores deveriam se matricular na Câmara, pagar uma taxa de 5 mil réis, apresentar um fiador e portar uma placa de metal numerada pendurada no pescoço como forma de identificação.
As novas exigências dificultavam o exercício do trabalho e aumentavam a fiscalização sobre uma categoria formada, em sua maioria, por africanos livres e escravizados.
Segundo o historiador João José Reis (2019), essa regulamentação fazia parte de um conjunto de medidas para controlar os trabalhadores negros nos espaços públicos. Com essas obrigatoriedades, os ganhadores passaram a ser vigiados de forma constante pelas autoridades municipais.
FONTE:
REIS, João José. Ganhadores: a greve negra de 1857 na Bahia. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
Resistências Radicais
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GREVE DOS GANHADORES - QUE SE INSTAURE O FURDUNÇO!
GREVE DOS GANHADORES PELO OLHAR DE FÊNIX VALENTIM (12 ANOS)
No primeiro dia de junho de 1857, os ganhadores de Salvador iniciaram uma greve em resposta à nova postura municipal. O movimento é considerado por muitos historiadores a primeira greve organizada do Brasil. A maioria desses trabalhadores era formada por africanos livres e escravizados, que transportavam mercadorias, móveis, água e pessoas pelas ruas e ladeiras da cidade.
De acordo com o historiador João José Reis (2019), os ganhadores se recusaram a pagar as novas taxas, apresentar um fiador e usar a placa de metal pendurada no pescoço. Para eles, essas exigências aumentavam os custos do trabalho e representavam uma forma de humilhação e de controle. Muitos também consideravam ofensivo usar a placa junto às contas e aos colares de suas tradições religiosas.
Durante cerca de dez dias, os trabalhadores paralisaram suas atividades, afetando o transporte de cargas e pessoas na cidade. Comerciantes e moradores sentiram rapidamente os efeitos da greve.
A mobilização mostrou que os ganhadores estavam organizados e dispostos a defender seu trabalho e sua dignidade. Ao desafiar uma lei que aumentava a fiscalização sobre os trabalhadores negros, eles transformaram a greve em um importante exemplo de resistência coletiva contra o controle imposto pelas autoridades municipais.
FONTES:
REIS, João José. A greve negra de 1857 na Bahia. Revista USP, São Paulo, n. 18, p. 6-29, 1993.
REIS, João José. Ganhadores: a greve negra de 1857 na Bahia. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
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FERNANDES, Bob. Escravidão: sem direitos, motoboys, biciboys, Uber, são escravos do neoliberalismo, analisa João Reis. YouTube, 21 out. 2017. 10min4seg.
VELLOSO, Rita; FONSECA, João Paulo. É greve! PISEAGRAMA, Belo Horizonte, n. 13, p. 22-27, mai. 2019.
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