1951
PUNIR O PECADO DO "PARAÍSO RACIAL"
Lei Afonso Arinos
MOVIMENTO NEGRO DURANTE DITADURA - ARQUIVO PÚBLICO
Em 3 de julho de 1951, o Congresso Nacional aprovou a Lei nº 1.390, conhecida como Lei Afonso Arinos. Proposta pelo deputado federal Afonso Arinos de Melo Franco, essa legislação tornou contravenção penal a discriminação por raça ou cor no Brasil. A criação dessa legislação foi impulsionada por um episódio amplamente noticiado: a bailarina norte-americana Katherine Dunham foi impedida de se hospedar em um hotel de São Paulo por ser uma mulher negra. A repercussão internacional do caso expôs o racismo estrutural brasileiro, contrariando o mito da democracia racial, e pressionou o Estado a formular uma resposta jurídica.
Em grande medida, a Lei Afonso Arinos teve um efeito mais simbólico do que prático, ou seja, foi uma normativa sem efetividade, com baixo impacto. A legislação atuou mais como uma declaração governamental de que o Brasil não admitiria a discriminação racial do que como um mecanismo efetivo de transformação das relações sociais. Seu impacto real foi inexpressivo, sendo reduzido pela resistência institucional, pela ausência de mecanismos objetivos de denúncia e pela permanência de práticas de racismo velado, amplamente normalizadas no cotidiano brasileiro.
TEXTO REESCRITO E ADAPTADO PELO EDITOR-REVISOR
FONTE:
Rezende, Milka de Oliveira. Racismo no Brasil: história, dados, consequências. Mundo Educação, [s.d.].
Caso Histórico
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MANIFESTAÇÃO DE DESAGRAVO À ATRIZ NEGRA KATHERINE DUNHAM (1950)
A DANÇARINA E COREÓGRAFA AMERICANA KATHERINE DUNHAM - PHYLLIS TWACHTMAN (Biblioteca do Congresso)
Em 13 de julho de 1950, a renomada artista afro-americana Katherine Dunham foi vítima de discriminação racial no Esplanada Hotel, em São Paulo, que se recusou a hospedá-la apesar de sua reserva confirmada. O episódio gerou forte repúdio público e levou à realização de uma manifestação de desagravo promovida pelo Centro Folclórico "Mário de Andrade", pelo Teatro Experimental do Negro e pela Comissão de São Paulo do I Congresso do Negro Brasileiro.
A homenagem, realizada após sua apresentação no Theatro Municipal, contou com a presença de figuras como Roger Bastide, Rosini Tavares de Lima, Cory Gomes de Amorim, Alceu Maynard Araújo e representantes de instituições culturais e da imprensa. Emocionada, Dunham agradeceu o gesto e destacou o acolhimento do público paulista, contrastando-o com experiências anteriores de racismo em outros países.
Mesmo evitando politizar o incidente, a artista, coreógrafa, escritora, antropóloga e referência internacional nas artes, tornou-se símbolo da luta contra o racismo no Brasil. A Comissão de São Paulo comprometeu-se a prestar-lhe nova homenagem como sinal de solidariedade contínua à sua trajetória e dignidade.
TEXTO REESCRITO E ADAPTADO PELO EDITOR-REVISOR
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CAMPOS, Walter de Oliveira. A Lei Afonso Arinos e sua repercussão nos jornais (1950-1952): entre a democracia racial e o racismo velado. 2016. Tese (Doutorado em História) – Faculdade de Ciências e Letras de Assis, Universidade Estadual Paulista, Assis, 2016.
GLÓRIA Maria: 'Racismo é algo que vivi desde sempre, a gente vai aprendendo a se defender'. G1, Rio de Janeiro, 15 jun. 2023.
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